A União Europeia excluiu o Brasil da lista de países autorizados a exportar carne ao bloco em maio. A medida, que entra em vigor em 3 de setembro, exige maior controle sobre o uso de antimicrobianos na pecuária brasileira. A decisão se deu pela falta de documentação apresentada pelo país, e não por irregularidades no produto.
A preocupação central da UE é o risco de desenvolvimento de bactérias resistentes a antibióticos em humanos. O bloco estabeleceu critérios rigorosos, proibindo o uso de antimicrobianos para promover crescimento ou aumentar produtividade animal. Isso faz parte de uma campanha chamada One Health, que integra saúde humana, animal e ambiental.
O setor agropecuário brasileiro classificou a restrição como protecionismo, visto que foi anunciada após a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre a UE e o Mercosul. Enquanto isso, outros países do bloco, como Argentina, Paraguai e Uruguai, mantêm a autorização de exportação.
Especialistas apontam que o risco à saúde humana reside na disseminação de bactérias resistentes, e não apenas no resíduo de medicamentos na carne. Um representante do setor afirmou que o uso terapêutico de antibióticos é permitido, desde que respeitado o período de carência entre a aplicação e o abate do animal.

