A redução gradual das tarifas de importação para vinhos da União Europeia deve intensificar a concorrência no mercado brasileiro, ampliando a oferta e a variedade de produtos disponíveis aos consumidores, avalia Rodrigo Lanari, consultor de mercado da Winext. O acordo Mercosul-UE deve redefinir a dinâmica do setor, impactando preços e participação de rótulos estrangeiros.
A eliminação progressiva da tarifa de importação, que atualmente é de 27%, favorecerá produtores de países como Portugal, Espanha, França e Itália. Lanari afirmou que o resultado será uma maior oferta de produtos e opções com melhores preços. Atualmente, vinhos argentinos e chilenos dominam as importações, respondendo por mais de 60% do volume importado pelo Brasil.
Portugal, com sua longa relação comercial com o Brasil, pode ganhar força, com sua participação projetada para subir de 18% para 22% nos próximos anos. O avanço europeu também impõe desafios aos produtores nacionais, mas o consultor acredita que as vinícolas brasileiras podem se beneficiar da modernização e da redução de custos na importação de insumos, como barricas e maquinários.
O especialista aponta que o baixo consumo de vinho no Brasil, inferior a três litros por pessoa ao ano, contrasta com o índice de cerca de 50 litros per capita em Portugal. Lanari concluiu que, apesar do período de adaptação, os ganhos de competitividade devem beneficiar consumidores e empresas no médio e longo prazo.

