Cientistas detectaram eritrulose, um açúcar simples, em uma nuvem de poeira e gás próxima ao centro da Via Láctea. O achado, publicado na revista científica Nature Astronomy, indica que compostos vitais para a vida podem se formar em condições extremas do espaço profundo.
A eritrulose, molécula essencial para organismos vivos, foi identificada em uma nuvem molecular interestelar. A astroquímica Izaskun Jiménez-Serra, do Centro de Astrobiologia da Espanha, afirmou que o achado demonstra que tais moléculas são mais comuns no espaço do que se acreditava. O processo de formação ocorre em temperaturas de cerca de -250 °C, através de reações químicas entre glicolaldeído e etilenoglicol na superfície de grãos de poeira cósmica.
Os pesquisadores consideram que essas nuvens funcionam como “berçários estelares” e que o composto pode ter chegado à Terra indiretamente, via cometas e asteroides. Estima-se que milhões de toneladas de eritrulose possam ter bombardeado o planeta durante o Intenso Bombardeio Tardio, enriquecendo as primeiras biomoléculas.
Na Terra, a eritrulose é conhecida por participar da reação de Maillard, processo que gera melanoidinas. Essa reação é responsável pelo efeito do bronzeamento artificial e pela cor e sabor da crosta de carnes grelhadas. O dado preenche uma lacuna sobre o fornecimento espacial de matéria orgânica, segundo o cientista Yoshihiro Furukawa, da Universidade de Tohoku.

