Agentes de inteligência militar russa operam no Japão, utilizando empresas como fachada para adquirir tecnologia japonesa essencial para a guerra na Ucrânia. Desde 2022, após a invasão russa, dezenas de espiões expulsos reapareceram no país, aproveitando leis frágeis e a alta tecnologia local para suprir o Kremlin.
A operação centraliza-se na 20ª Diretoria, unidade secreta da inteligência militar russa. Agentes disfarçados de empresários trabalham para comprar ou roubar tecnologia de uso militar, que é contrabandeada para a Rússia. Segundo autoridades de inteligência ocidentais, um homem supervisiona essa atividade em Tóquio, usando a fachada de funcionário da companhia aérea estatal russa Aeroflot.
O impacto dessa aquisição é visível no campo de batalha. Investigadores descobriram que mísseis russos, como o Kh-101, que causou mortes em Kiev, foram guiados por componentes japoneses cuja exportação para a Rússia é proibida. Estima-se que cerca de 90% dos mísseis e drones russos contenham peças japonesas, conforme avaliação ucraniana.
O Japão, apesar de seu apoio à Ucrânia, demorou a agir, em parte devido a limitações pós-Segunda Guerra Mundial que enfraquecem seus serviços de inteligência. Autoridades ucranianas apresentaram ao Japão evidências de uso da tecnologia em ataques russos, mas o governo japonês trabalhou com aliados ocidentais para proibir a exportação de itens militares.
Empresas como a Proco Air, que se anuncia como ‘ponte entre Japão e Rússia’, são apontadas como facilitadoras. Embora o proprietário de uma dessas empresas tenha negado saber dos vínculos com a inteligência russa, registros comerciais indicam o envio de itens sensíveis para destinos que revendem para a Rússia.

