Estudos de odontologia e medicina indicam que entre 70% e 90% das agressões físicas contra mulheres têm o rosto como alvo. A promotora de Justiça Fabíola Sucasas explicou que o ataque visa causar danos permanentes à aparência das vítimas. Além disso, dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o Brasil registrou 399 vítimas de feminicídio no primeiro trimestre de 2026.
A promotora de Justiça Fabíola Sucasas afirmou que o foco no rosto reflete uma tentativa de causar danos permanentes à imagem das vítimas. Segundo a promotora, os agressores buscam atingir a autoestima das mulheres. Uma pesquisadora comentou que “É uma violência que tem uma pedagogia. O homem, quando atinge a face, está não só dando uma lição nessa mulher, mas tornando ela, vamos colocar assim, ‘estragada’. ‘Você não é minha, mas também ninguém mais vai te desejar'”.
Sucasas declarou que ataques que provocam desfiguração exigem acompanhamento especializado, pois “a ideia é agredir e matar com crueldade”. Ela explicou que a legislação obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a reparar o dano estético e psicológico decorrente dessas lesões. Em São Paulo, iniciativas como o Instituto Novo Olhar oferecem reconstrução facial e assistência jurídica.
Em relação à violência geral, um estudo com 3.193 usuárias do SUS na Grande São Paulo revelou que 76% sofreram algum tipo de violência, mas apenas 3,8% tiveram registros nos prontuários médicos. Paralelamente, o monitoramento do Ministério da Justiça e Segurança Pública aponta que o primeiro trimestre de 2026 foi o mais letal para mulheres, com 399 vítimas de feminicídio, um aumento de 7,55% sobre o mesmo período de 2025.

