A Alemanha planeja endurecer as regras de licença médica, exigindo consulta presencial para atestados a partir de janeiro do próximo ano. A medida visa combater o alto índice de afastamento do trabalho, que atingiu 19,5 dias úteis por ano, segundo pesquisa do IGES Institut.
O chanceler federal, Friedrich Merz, anunciou a ofensiva para reduzir o absenteísmo, alegando que os longos períodos de afastamento prejudicam a economia alemã. Segundo Merz, a iniciativa busca restaurar a “justiça e funcionalidade” no mercado de trabalho, permitindo que empregadores e seguradoras reajam de forma mais rigorosa a faltas recorrentes.
O sistema de licença médica alemão é conhecido por ser generoso: trabalhadores recebem 100% do salário por até seis semanas, pagos pelo empregador. Após esse período, o seguro público de saúde assume o pagamento de cerca de 70% do salário bruto, por até 78 semanas em três anos. A mudança proposta torna mais difícil o afastamento, pois o atestado não poderá mais ser obtido por telefone.
O IGES Institut aponta que o aumento nos registros se deve, em parte, à melhoria dos sistemas eletrônicos de atestados médicos, que passaram a registrar ausências curtas antes não contabilizadas. Contudo, críticos das reformas de Merz afirmam que as medidas podem estigmatizar doenças legítimas e transferir a culpa pelos problemas econômicos do país aos trabalhadores.

