Um analista justifica a compra contínua de ações do Alphabet (GOOGL), afirmando que a ideia de que a empresa está perdendo talentos de inteligência artificial para concorrentes não corresponde aos dados financeiros e organizacionais.
A tese de investimento se baseia em dois fatos estruturais que a narrativa de “drenagem cerebral” ignora. Primeiramente, a fusão do Google Brain e DeepMind sob a liderança de Demis Hassabis concentrou os maiores doutores em IA do planeta em uma unidade científica coordenada. Segundo, o Alphabet finalizou pacotes de retenção multimilionários que igualam a participação acionária de startups, além de dar acesso a clusters internos de TPU que startups não conseguem replicar.
Os resultados financeiros confirmam essa estrutura. No primeiro trimestre de 2026, a receita alcançou 109,90 bilhões de dólares, um crescimento de 21,8% ano a ano, com lucro por ação de 5,11 dólares. O Google Cloud cresceu 63% para 20,03 bilhões de dólares, e o backlog ultrapassou 460 bilhões de dólares. O CEO Sundar Pichai declarou na chamada do primeiro trimestre que “o fato de termos modelos de ponta e possuirmos o silício realmente nos ajuda a ficar à frente da curva.”
O analista compara o Alphabet a concorrentes como Microsoft e Meta, apontando que o crescimento do Google Cloud supera o de plataformas maduras. Ele ressalta que, apesar do aumento do gasto em capital (CapEx) para 175 a 185 bilhões de dólares em 2026, o sinal de demanda, representado pelo backlog, indica que a capacidade está sendo reservada antes de ser construída.

