A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) desacelerou a fiscalização de farmácias de manipulação estéreis, que produzem canetas emagrecedoras, após anunciar planos para ampliar o controle sobre o setor. Dados obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação mostram que a agência realizou 30 visitas a empresas neste ano, mas uma ordem interna de 13 de junho suspendeu temporariamente as vistorias.
A redução no ritmo de inspeções ocorre em um momento de impasse interno na agência sobre novas regras para o setor. A Anvisa, em nota, afirmou que o cronograma de inspeções não foi alterado e que deixou de vistoriar apenas uma distribuidora. O órgão declarou que a fiscalização rotineira cabe aos estados e municípios, concentrando sua atuação nos aspectos que exigem maior atenção.
A queda no ritmo coincide com debates sobre a cobrança de certificações mais robustas para matéria-prima importada. Em abril, a agência havia informado à imprensa que o número de fiscalizações estava em alta, superando o ano anterior, em resposta a investigações da Polícia Federal sobre produção em larga escala sem controle de qualidade.
A manipulação não é ilegal, mas deve seguir prescrições individualizadas. A agência reconheceu a fragilidade no controle da matéria-prima importada, citando a importação de cerca de 100 kg de tirzepatida em seis meses, volume que indicou “falhas na cadeia de controle regulatório e ampliação do risco sanitário”.

