As plataformas de apostas esportivas se consolidaram como um problema social grave no Brasil, segundo artigo de Eugênio Bucci. O fenômeno, que ultrapassa o direito individual de apostar, caracteriza-se pela industrialização da dependência, onde a maioria dos usuários perde dinheiro para o setor.
O setor de apostas ganhou espaço na economia, publicidade e entretenimento brasileiro. Bucci explica que o lucro das plataformas depende da repetição do comportamento compulsivo, pois uma minoria ganha enquanto a maioria perde. Essa engrenagem é financiada pela sociedade, com clubes de futebol, emissoras e influenciadores digitais promovendo as casas de apostas.
A propaganda massiva torna os apelos à jogatina onipresentes, e o futebol funciona como principal veículo dessa normalização do vício. Os números mostram que milhões de brasileiros, inclusive de baixa renda, destinam renda às apostas. Isso representa uma transferência de riqueza das camadas mais vulneráveis para um setor altamente concentrado.
Além do impacto financeiro, a cultura da aposta substitui a cultura do esforço, difundindo a expectativa do ganho imediato. O autor afirma que a sociedade não pode se surpreender com a disseminação de comportamentos destrutivos se remunerar quem estimula tais práticas. O risco é que o país troque o projeto de desenvolvimento pela ilusão do cassino.

