O crescimento das apostas online gera impactos no orçamento familiar e acende alerta para o comércio da Região Serrana do Rio de Janeiro. Dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, em parceria com a Offerwise, mostram que 39,5 milhões de brasileiros participaram de jogos pagos em um ano.
O levantamento indica que o consumo é afetado pelos jogos. Quarenta e um por cento dos apostadores declarou ter deixado de consumir produto ou serviço para apostar. Dezenove por cento disse ter comprometido parte da renda com os jogos, e dezessete por cento deixou de pagar contas para continuar apostando. Outros 29% relataram ter tido o nome negativado por causa das apostas.
Para o comércio, a redução do poder de compra representa um sinal de alerta, especialmente em municípios como Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, onde o turismo e serviços geram emprego. A advogada Ana Lacativa, especialista na indústria de games e apostas, afirmou que “quando parte da renda das famílias deixa de circular no comércio e no setor de serviços para ser destinada às apostas, os efeitos podem atingir diferentes atividades econômicas”.
O mercado de apostas de quota fixa opera sob novas regras federais desde janeiro de 2025, exigindo identificação e prevenção à lavagem de dinheiro. Especialistas alertam para riscos de plataformas clandestinas. Dyene Galantini, sócia de empresa de análise, explicou que sites autorizados utilizam o domínio “.bet.br”, pois as plataformas ilegais operam fora do sistema de proteção ao consumidor.
As especialistas orientam os consumidores a verificar a autorização da plataforma e não usar dinheiro essencial para apostar. Ana Lacativa comentou que “aposta não é investimento nem fonte de renda. Se o dinheiro destinado ao jogo começa a comprometer as despesas pessoais ou familiares, é um sinal de que é preciso interromper essa atividade”.

