O governo argentino iniciou a redução gradual do imposto sobre a exportação de veículos e produtos industriais, com meta de zerar a alíquota até junho de 2027. A iniciativa, parte do plano econômico do presidente Javier Milei, busca aumentar a competitividade da indústria local e fortalecer as vendas em mercados estratégicos, como o Brasil.
A redução começou neste mês e atinge não apenas veículos, mas também segmentos de produtos petroquímicos, químicos, borracha e máquinas industriais. Atualmente, a alíquota sobre exportações de veículos é de 4,5% e será diminuída em 0,375 ponto percentual mensalmente, segundo o governo argentino.
O Brasil é o principal destino das exportações automotivas argentinas, recebendo cerca de 70% do volume, resultado da integração produtiva do Mercosul. A Associação de Fabricantes de Automotores da Argentina (Adefa) comemorou a decisão, afirmando que a previsibilidade é essencial para o planejamento industrial.
Especialistas, contudo, avaliam que o impacto no preço final dos carros no Brasil será limitado. O professor Ricardo Balistiero, do Instituto Mauá de Tecnologia, estima que a redução de custo para as montadoras será próxima de 2%, percentual que pode não ser totalmente repassado ao consumidor. Vitor Pina, da CLA Brasil, explicou que a medida elimina uma desvantagem tributária existente em relação a outros produtores.

