Apesar de residir na Espanha, argentinos mantêm fortes laços culturais com o país de origem, como demonstra o caso de um morador de 47 anos. O fluxo migratório entre as nações tem crescido, com dados do Instituto Nacional de Estadística (INE) apontando um aumento constante na população argentina residente na Europa.
O caso de um morador de 47 anos, que se mudou para a Espanha há 25 anos, ilustra a manutenção da identidade nacional. Ele afirmou que continua argentino em tudo o que faz e pensa, mantendo os costumes e o sotaque. Esse movimento não é isolado, visto que o INE da Espanha registrou 451 mil argentinos em 2025, um aumento de quase 8% em relação aos 416 mil registrados em 2024.
O fluxo migratório ocorre em ambas as direções. Historicamente, cerca de dois milhões de espanhóis vieram para a Argentina no início do século XX. Atualmente, a Argentina é o país que mais abriga cidadãos espanhóis no mundo, com cerca de 544 mil, segundo o INE espanhol. A pesquisadora Marcela Cerrutti atribui o aumento da emigração argentina para a Espanha, intensificado após a pandemia, à estagnação econômica argentina e à expansão da economia espanhola.
A legislação espanhola favorece a circulação, como explica a advogada Ana Carolina Moreno Puga Rebelo. Quem possui dupla cidadania, pela Lei da Memória Democrática de 2022, entra no regime europeu de livre circulação sem necessidade de visto. Outros casos, como o de uma influenciadora digital de 32 anos, demonstram a dificuldade em escolher entre as duas culturas, afirmando estar com a Argentina “do berço até o caixão”.

