O legado da médica Nise da Silveira, que propôs o uso da arte em vez do confinamento psiquiátrico, completa 80 anos em 2026. A experiência, iniciada em 1946, transformou a saúde mental no Brasil, dando origem ao Museu de Imagens do Inconsciente, que hoje possui mais de 400 mil obras.
A abordagem de Nise da Silveira rompeu com práticas psiquiátricas vigentes na época, como eletrochoques e lobotomia. Em vez de isolamento, ela priorizou a liberdade, o afeto e a expressão humana. Os ateliês terapêuticos, que incluíam pintura, modelagem, encadernação e cestaria, revelaram interesse científico para a compreensão do processo psicótico e passaram a ser centrais no tratamento.
Eurípedes Junior, coordenador de projetos da Sociedade Amigos do Museu de Imagens do Inconsciente, explicou que o método demonstrou ser possível construir um tratamento não invasivo. Segundo Junior, a principal contribuição foi mostrar que era viável um cuidado baseado na criatividade e no afeto, em oposição à visão puramente medicamentosa da psiquiatria.
As comemorações de 2026 incluem exposições no Museu de Imagens do Inconsciente e a celebração de dez anos do Espaço Travessia, localizado no Engenho de Dentro. O Espaço Travessia, que transformou antigas enfermarias em espaços de convivência, promove programação gratuita em julho, como oficinas e espetáculos.

