Uma artesã denunciou ter sido envenenada com mercúrio por mais de seis meses enquanto participava de um projeto social no bairro de Santo Amaro, no Recife. A vítima afirmou que uma beneficiária do programa colocava o metal tóxico na garrafa de água dela. Imagens gravadas pela artesã mostram a suspeita despejando a substância no recipiente, e o caso é investigado pela Polícia Civil desde junho de 2025.
A artesã, que atuou por mais de dez anos no projeto Arte na Medicina, começou a sentir sintomas de intoxicação no segundo semestre de 2024, como dores abdominais e dificuldade de locomoção. Ela percebeu um comportamento estranho da aluna e notou pequenas partículas na água. Em um momento, a vítima flagrou a suspeita mexendo em sua garrafa, o que a levou a filmar o ocorrido e registrar um boletim de ocorrência.
Exames toxicológicos confirmaram a presença de 21 microgramas de mercúrio por mililitro de sangue na vítima. O laudo da perícia na garrafa também detectou o metal. A médica que realizou o laudo estimou que a ingestão ocorreu em um período de oito meses a um ano. Atualmente, a artesã lida com sequelas neurológicas, como compressão na medula e neuropatia, alegando que o mercúrio afetou sua coordenação motora.
Apesar da comprovação do envenenamento, a vítima enfrenta dificuldades no acesso a tratamentos especializados. A defesa da artesã ajuizou ação na Vara da Fazenda Pública de Jaboatão dos Guararapes para obrigar o estado a garantir a consulta urgente com neurocirurgião pelo SUS. O advogado da vítima cobra da Justiça a concessão de liminar e a conclusão do inquérito policial.

