Elizângela Maria do Nascimento, conhecida como Elizângela das Palafitas, transforma materiais recicláveis coletados nas ruas em arte. A artista produz quadros, esculturas e maquetes que retratam a vida nas comunidades de palafitas do Grande Recife, chamando atenção para problemas urbanos como a falta de saneamento básico.
Natural de Moreno, no Grande Recife, a artista transformou sua residência em um ateliê. A inspiração para seu trabalho surgiu há mais de vinte anos, durante visitas à região. Segundo ela, “Tudo que eu faço é através desse material que eu fico coletando nas ruas, por onde eu passo. Algumas pessoas também juntam para mim e me dão”.
Seu trabalho ganhou reconhecimento ao ser selecionada para o Salão de Arte Sustentável. Duas de suas peças estão no acervo da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj). Uma delas, “Da Lama ao Caos”, homenageia o geógrafo Josué de Castro e o legado de Chico Science. A outra, “Cabaré de Biu Véia”, retrata histórias ouvidas de familiares.
Apesar da dedicação, a comercialização das peças representa um desafio. A artista afirma que a falta de oportunidades para expor gratuitamente em feiras dificulta a venda. Para complementar a renda, ela trabalha como cuidadora de idosos e faxineira, mesmo com o apoio do marido.

