Audiências públicas começaram em Washington nesta segunda-feira (6) para discutir um tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros. Representantes do setor produtivo alertam que a sobretaxa de 25% prejudicará a indústria e os consumidores dos EUA, além de afetar o comércio bilateral.
Os Estados Unidos alegaram que o Brasil adota práticas desleais e iniciaram uma investigação baseada na Seção 301 da lei de comércio americana. O governo brasileiro rebateu as críticas na semana passada, enquanto a resposta americana deve ser divulgada até o dia 15 de julho. Além disso, o país enfrenta outra apuração, pois o Escritório de Comércio dos EUA o incluiu entre nações que falham no combate ao trabalho forçado, com risco de sobretaxa de 12,5%.
A Confederação Nacional da Indústria calcula que a adoção das tarifas adicionais de 25% e 12,5% afetará mais de 4 mil produtos exportados pelo Brasil, o que representa quase US$ 15 bilhões. O presidente da CNI, Ricardo Alban, disse que o desafio é preocupante, visto que os Estados Unidos são o parceiro mais importante de produtos manufaturados do Brasil.
Diplomatas da embaixada brasileira acompanham as discussões, embora o governo brasileiro não vá discursar. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Fernando Elias Rosa, afirmou que é preciso continuar negociando tecnicamente, pois o Brasil e os Estados Unidos possuem superávit comercial.

