Áudios obtidos em celular de um companheiro do PCC mostram a rede de pagamento de propinas mantida por doleiros ligados ao esquema de lavagem de dinheiro. A Polícia Federal repassou 59 gravações ao Gaeco do Ministério Público de São Paulo, que utilizou as provas para deflagrar as Operações Bazaar e Janus.
As investigações, que começaram com a Operação Bazaar em março, visaram um esquema de corrupção sistêmico que envolvia quatro delegacias e três departamentos da Polícia Civil de São Paulo. Foram cumpridos 25 mandados de busca e apreensão, além de 11 mandados de prisão e seis de intimação, atingindo integrantes da organização criminosa, advogados e policiais.
As provas coletadas compuseram a Operação Janus, que levou à prisão de 18 acusados. Segundo o Gaeco, os áudios evidenciam a atuação dos investigados como agentes de promoção e financiamento da facção. Um dos registros aponta que um advogado concorreu para oferecer vantagem indevida de R$ 100 mil a policiais para obstar investigações contra pessoas jurídicas ligadas ao grupo.
A Operação Janus também indicou que operadores financeiros do PCC mantinham laços com coronéis da cúpula da Polícia Militar de São Paulo. Um ex-comandante-geral da PM, que posteriormente pediu demissão, foi exonerado após um promotor levar a ele um áudio que provava que policiais haviam vendido informações ao PCC. Os integrantes da antiga cúpula da PM citados na investigação não foram alvo da operação.

