A disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos abrange agora o setor audiovisual, que se configura como um ativo estratégico na economia global. O controle sobre a produção e monetização de conteúdo digital define riqueza e soberania, transformando o Brasil em um polo de grande potencial criativo.
O debate sobre o audiovisual ultrapassa a esfera cultural, inserindo-se na agenda geopolítica. Na economia contemporânea, propriedade intelectual, dados e criatividade são ativos estratégicos. O Brasil, como um dos maiores mercados consumidores de conteúdo digital, possui uma diversidade cultural que gera narrativas únicas, representando uma vantagem econômica.
Os números demonstram a relevância do setor. Segundo a Firjan, a economia criativa movimenta cerca de R$ 393 bilhões anuais no país. A Agência Nacional do Cinema (ANCINE) aponta que o audiovisual adicionou R$ 32,7 bilhões à economia brasileira e gerou aproximadamente 79 mil empregos diretos. Estudos mais amplos estimam que o setor movimentou R$ 70,2 bilhões no PIB brasileiro em 2024.
Internacionalmente, a tendência é de crescimento expressivo, com a consultoria PwC projetando que a indústria global de mídia e entretenimento alcance US$ 3,5 trilhões até 2029. Contudo, o país enfrenta o desafio de que grande parte da riqueza gerada pelo consumo de conteúdo nacional é apropriada por empresas estrangeiras, limitando o potencial econômico.
O autor afirma que o audiovisual deve ser visto como política industrial, assim como setores como agronegócio e semicondutores. Quem controla as narrativas e os algoritmos de distribuição detém parte significativa da riqueza em um mundo movido por conhecimento e inovação.

