O Brasil adota novas diretrizes que priorizam o teste molecular para detecção do HPV, vírus causador do câncer do colo do útero. A coleta pode ser feita por autocoleta vaginal, uma estratégia que visa aumentar a adesão e reduzir desigualdades no rastreamento nacional.
A baixa adesão ao rastreamento contribui para os cerca de 19 mil novos casos de câncer do colo do útero registrados anualmente no país, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O modelo anterior, baseado no exame de Papanicolau, será gradualmente substituído pelo teste molecular no Sistema Único de Saúde (SUS) ao longo dos próximos cinco anos, conforme a Nova Diretriz Brasileira para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, publicada em 2025.
A praticidade da autocoleta, rápida e indolor, permite que a coleta seja realizada pela própria mulher em locais convenientes, o que pode aumentar a participação de quem enfrenta barreiras para o exame ginecológico convencional. Essa mudança aproxima o país de estratégias internacionais de eliminação da doença.
Pesquisas apontam que mulheres negras, urbanas e quilombolas sofrem com maiores taxas de mortalidade por essa doença. Um estudo da Rede Previna-se, financiado pelo CNPq, avalia a aceitabilidade da autocoleta para essas mulheres em três macrorregiões brasileiras, visando fortalecer políticas públicas mais justas.

