A morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, reacendeu a memória de sua obra, que ajudou a definir a televisão brasileira. O autor colocou o interior do país como protagonista, apresentando personagens femininas com beleza ligada à natureza e à simplicidade.
Em suas novelas, o autor apresentava mulheres distantes do padrão de glamour da TV, com cabelos naturais e pouca maquiagem. Essa visão influenciou a representação da beleza ligada à natureza e à simplicidade décadas depois. “Pantanal”, exibida originalmente em 1990, é o maior símbolo dessa identidade, ao colocar a paisagem pantaneira como parte fundamental da narrativa.
Nesse universo, surgiu Juma Marruá, personagem que não era definida pela sofisticação urbana. Sua força residia na conexão com a terra, na independência e na maneira de existir no território. A imagem de Juma, com cabelos longos e maquiagem discreta, estabeleceu um padrão de beleza natural na dramaturgia brasileira.
Essa estética retornou com a nova versão de “Pantanal”, exibida em 2022. A adaptação trouxe de volta elementos como botas western, peças de couro e paleta de tons terrosos, que passaram a aparecer em referências de moda e comportamento. O autor também explorou essa temática em “Renascer” e “O Rei do Gado”, construindo mulheres com identidades próprias, longe de modelos previsíveis.

