O biquíni completa 80 anos de existência, sendo celebrado como um ícone da emancipação feminina. A peça foi apresentada por Louis Réard em Paris, em 5 de julho de 1946, e sua trajetória reflete as mudanças sociais e culturais do século XX.
A gênese do traje ocorreu em Paris, onde o engenheiro e estilista Louis Réard apresentou o que foi chamado de “o menor maiô do mundo”. Micheline Bernardini foi a única que vestiu a dupla de peças, que deixava o umbigo à mostra. Embora trajes de duas peças existissem em outras culturas, Réard transformou-o em artigo de moda. A pesquisadora Paula Acioli explica que a primeira versão moderna, criada por Jacques Heim, foi batizada de Atome, mas foi Réard quem lançou a novidade, nomeando-a Bikini em referência ao Atol de Bikini.
No Brasil, o modelo encontrou tradução no Rio de Janeiro. David Azulay, fundador da Blueman em 1972, reinventou a peça com lacinhos. Thomaz Azulay, diretor criativo da marca, afirmou que o modelo de lacinho está em vias de se tornar patrimônio cultural imaterial da cidade, com projeto protocolado na Câmara.
A história do biquíni também está ligada a marcos de liberdade feminina. Miriam Etz foi considerada a primeira a usar o traje em areias cariocas nos anos 1940. Mais tarde, em 1971, Leila Diniz usou biquíni grávida na Praia de Ipanema, um gesto que a antropóloga Mirian Goldenberg classificou como uma revolução simbólica de liberdade.

