O Bank of America (BofA) questiona a previsão de fim do ciclo de cortes de juros no Brasil devido à queda nos preços do petróleo. O chefe de Economia do banco, David Beker, afirmou que, apesar de um aumento na chance de um novo corte de 0,25 ponto percentual, a instituição mantém a taxa Selic em 14,25% até dezembro.
David Beker disse nesta sexta-feira, 03, que a previsão do banco está sendo questionada pela baixa nos preços do petróleo. Essa situação ocorre em paralelo a dados de inflação mais baixos e geração de empregos abaixo do esperado. Beker comentou que a chance de um novo corte de 0,25 ponto percentual da Selic aumentou, mas o BofA considera a manutenção dos juros no patamar atual como o cenário mais provável, levando em conta a desancoragem das expectativas de inflação e os estímulos econômicos.
O analista declarou que o Banco Central pode realizar mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, dizendo: “Eventualmente o Banco Central pode fazer mais 25 de corte, compra tempo; e eventualmente faz mais 25, e compra tempo”. Ele acrescentou que a extensão do horizonte da política monetária, que aproxima a expectativa do BC da meta, gera alívio.
Segundo o cenário do BofA, após se manter em 14,25% neste ano, a Selic deve cair 0,25 ponto percentual em 2027, fechando o ano em 13,25%. Em 2028, com outros quatro cortes, a taxa deve atingir 12,25%. A perspectiva é que os estímulos econômicos percam intensidade após as eleições, e que o próximo governo inicie ajustes fiscais, reabrindo espaço para cortes de juros.


