A China atingiu sua meta de Veículos de Nova Energia (NEVs) uma década antes do previsto, o que coloca em xeque o sistema tributário automotivo do país. O modelo fiscal, desenhado para motores a combustão, enfrenta desafios para financiar a manutenção de rodovias e exige uma grande reforma.
O crescimento dos NEVs, que representaram 47,9% das vendas em 2025 e ultrapassaram 50% no mercado doméstico, desestrutura o regime de tributação. Os impostos sobre carros de passeio estão atrelados à cilindrada do motor, o que faz com que veículos elétricos puros paguem pouco ou nada, enquanto os carros a gasolina geram maior arrecadação.
O impacto é crítico no financiamento rodoviário. A maior parte das estradas sem pedágio depende de impostos sobre o consumo de óleo refinado. Contudo, os NEVs, que estão se tornando mais pesados, aumentam o desgaste das vias sem contribuir significativamente para essa receita. Em maio de 2026, as vendas de veículos a combustíveis fósseis caíram 37,5% anualmente, segundo a Associação Chinesa de Fabricantes de Automóveis.
Especialistas apontam que o sistema tributário está sob pressão em três frentes: o déficit rodoviário, a divisão de receitas entre governos central e locais, e a obsolescência da cilindrada como base de cálculo. Há discussões sobre tributar baterias ou mudar a base para o uso das estradas, buscando um equilíbrio fiscal de longo prazo.

