O Brasil formalizou pedido de consultas junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) para contestar tarifas adicionais impostas pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. A União afirma que as medidas adotadas são unilaterais e discriminatórias, contrariando o princípio da não discriminação do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT) de 1994.
A contestação brasileira foca em duas investigações conduzidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). A primeira resultou em uma tarifa de 25% sobre diversos produtos, motivada por questionamentos sobre comércio digital, propriedade intelectual e políticas de combate ao desmatamento ilegal. A segunda investigação impôs uma sobretaxa de 12,5% por suposta falha brasileira em impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.
Segundo o governo brasileiro, essas cobranças elevam o custo dos produtos no mercado norte-americano, diminuindo a competitividade. O país argumenta que Washington concedeu tratamento menos favorável ao Brasil em comparação com outros parceiros comerciais, sem recorrer aos mecanismos multilaterais de solução de controvérsias da OMC.
O embate comercial intensificou-se a partir de fevereiro de 2025. Com o pedido de consultas, o Brasil busca iniciar negociações bilaterais antes de um contencioso formal em Genebra, na Suíça. Diplomatas avaliam que a iniciativa possui caráter político, mas reconhecem que o sistema de apelação da OMC está paralisado desde 2019.


