O governo federal iniciou a análise de uma resposta às novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. As medidas em discussão incluem retaliações comerciais e a retomada de uma disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC). As alternativas serão apresentadas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva para decisão final.
Ministros e técnicos do governo se reuniram no Palácio do Planalto na quinta-feira (16) para avaliar as ações americanas e definir a resposta nacional. Fontes governamentais afirmaram que o Brasil dificilmente deixará de dar uma resposta firme. Entre as opções, há a retomada de medidas da Lei da Reciprocidade Econômica, como restrições a remessas de dividendos e royalties do setor audiovisual, área que contribui para o déficit brasileiro na balança de serviços com os EUA.
Outra frente de estudo envolve o setor farmacêutico, com a possibilidade de quebra de patentes de medicamentos, e o setor agrícola, por meio de ações semelhantes aplicadas a sementes. No ano passado, essas medidas foram consideradas viáveis por não pressionarem a inflação ou afetarem as cadeias produtivas brasileiras. O governo também retomará a disputa aberta na OMC, buscando respaldo jurídico internacional para eventuais retaliações.
Apesar das análises, o setor privado expressa preocupação com possíveis restrições americanas ao acesso de produtos nacionais. Dados da Câmara Americana de Comércio (Amcham) mostram que as exportações brasileiras para os EUA caíram 13% no primeiro semestre deste ano, enquanto as exportações totais do país cresceram 5,1% no mesmo período.

