O Itamaraty convocou o embaixador da Argentina para transmitir repulsa e pedir explicações sobre agressões feitas por Javier Milei contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outras autoridades brasileiras. A crise diplomática se intensificou após Milei, em evento em São Paulo, ofender o chefe de Estado brasileiro e acusar o governo nacional de financiar uma campanha anti-argentina.
A convocação ocorreu após Milei fazer declarações durante convenção do Partido Liberal (PL) em São Paulo. O mandatário argentino se referiu ao presidente Lula como “presidiário” e “ladrão”, e a um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) como “lixo careca”. O governo brasileiro já havia chamado para consultas seu embaixador em Buenos Aires após as falas.
Em um segundo movimento, Milei acusou o governo do Brasil de financiar uma suposta “campanha anti-argentina”, afirmando que “Vinte e cinco por cento dos recursos saíram do governo do Brasil”. O presidente argentino também sustentou que um grupo de brasileiros enviado por Lula atuou contra ele durante a campanha presidencial de 2023.
As declarações provocaram repúdio de autoridades brasileiras. O ministro Edson Fachin, presidente do STF, criticou em nota a “referência desrespeitosa” de Milei a um ministro do STF e condenou suas manifestações. Lula afirmou que continuará governando sem ingerência de terceiros.

