O Brasil pode atrair uma parcela relevante dos trilhões de dólares destinados à agenda climática global, segundo a professora Annelise Vendramini, da FGV EAESP. A especialista afirmou que o país possui condições favoráveis, mas destacou que a segurança para o investidor é o fator crucial para concretizar o fluxo de capital.
Vendramini declarou que o Brasil tem potencial para receber recursos voltados à sustentabilidade, citando fatores que colocam o país em posição privilegiada na transição para uma economia de baixo carbono. As vantagens incluem uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, grande biodiversidade e atuação no agronegócio. Além disso, o país estruturou instrumentos como a taxonomia sustentável brasileira e o mercado regulado de carbono.
A pesquisadora explicou que o investimento sustentável mantém a lógica financeira tradicional: o gestor avalia risco e retorno. Projetos ambientais precisam oferecer dados e previsibilidade para que os modelos de avaliação incorporem fatores climáticos e sociais. A incorporação desses riscos já ocorre nas instituições financeiras, afetando o fluxo de caixa de empresas.
O principal entrave, segundo a especialista, é a dificuldade que investidores internacionais encontram ao mensurar riscos no ambiente de negócios brasileiro. Ela afirmou que políticas públicas que aumentem a transparência e reduzam incertezas são essenciais. Vendramini comentou que “o mercado não se desenvolve sozinho. Ele precisa de sinais corretos de preços, informação e instrumentos capazes de reduzir riscos”.
A estabilidade regulatória também é um ponto sensível. Alterações inesperadas nas regras geram percepção de instabilidade política, o que pesa para investidores internacionais. A especialista concluiu que, se o país avançar na previsibilidade e segurança jurídica, poderá transformar seus ativos naturais em vantagem competitiva.

