O Brasil pode ultrapassar os Estados Unidos como maior exportador agropecuário do mundo, um fato que sinaliza uma transição histórica na economia global. A análise aponta que o sucesso comercial depende da capacidade do país de se posicionar na nova ordem mundial, focada em dados e tecnologia.
A possível liderança do Brasil no setor agropecuário reflete uma mudança no comércio internacional, que se tornou multipolar após o declínio da hegemonia industrial dos Estados Unidos. Historicamente, potências como a Argentina prosperaram com a exportação primária sob a ordem britânica, mas essa riqueza não garantiu autonomia tecnológica quando o sistema mudou.
O autor argumenta que a questão central não é apenas o volume de exportação, mas o tipo de potência que o Brasil almeja ser. O novo capitalismo global exige domínio em áreas como inteligência artificial, biotecnologia e energia limpa. O país pode consolidar um ciclo de especialização primária, reproduzindo a lógica centro-periferia, ou pode usar o agronegócio para financiar a industrialização verde e a soberania digital.
A história mostra que grandes nações construíram poder ao integrar a tecnologia e a ciência em sua inserção internacional. O Brasil tem a oportunidade de evitar o caminho da dependência, que levou a nações ricas em recursos naturais a se subordinarem a decisões financeiras e tecnológicas externas. O futuro do país dependerá da formulação de um projeto nacional robusto.

