A medicina esportiva investiga se o cabeceio repetido no futebol pode causar alterações cerebrais, mesmo sem concussão. Pesquisas analisaram a integridade da substância branca e cinzenta em atletas, indicando mudanças estruturais, mas sem comprovar dano clínico definitivo.
A Fifa registrou que 25 dos 215 gols da fase de grupos da Copa do Mundo foram marcados de cabeça. Contudo, a ciência foca nos impactos subconcussivos. Uma meta-análise publicada em maio na revista Neuroradiology analisou 13 estudos de ressonância magnética em jogadores de futebol. O trabalho concluiu que o cabeceio está associado a mudanças de moderadas a grandes em métricas que avaliam a integridade da substância branca.
Em um estudo realizado pela Universidade Columbia, pesquisadores compararam exames de 352 jogadores amadores com atletas de outros esportes. Observaram alterações na substância branca em quem cabeceava com mais frequência, especialmente perto dos sulcos cerebrais e no lobo frontal. Essas mudanças foram ligadas a pior desempenho em testes de aprendizagem verbal.
Outra linha de pesquisa mediu efeitos imediatos. Em um ensaio clínico, jogadores realizaram 20 cabeceios em 20 minutos, resultando em alterações sutis em exames de ressonância e aumento de proteínas sanguíneas. O neurocirurgião Andre Gentil, do Hospital Israelita Albert Einstein, afirmou que as evidências atuais sugerem a necessidade de reduzir a exposição a esse trauma, sobretudo em crianças e adolescentes.

