O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) opera com cargos interinos, pela primeira vez na história, devido ao impasse político entre o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Senado. O órgão, responsável por analisar fusões e processos de big techs, tem seu comando técnico e presidencial em funções provisórias.
O Cade, responsável por analisar fusões e aquisições bilionárias e processos de cartéis, está atualmente sob comando interino, enquanto a área técnica é chefiada por um superintendente-adjunto. Especialistas temem impacto no andamento de casos relevantes, como a fusão internacional entre Paramount e Warner e investigações contra companhias aéreas. O mandato do ex-superintendente-geral Alexandre Barreto terminou em 25 de junho, e o do procurador-chefe André Freire encerra em 14 de julho.
A situação se agravou após a rejeição de indicações, criando incerteza sobre o comando da autarquia. O conselheiro Diogo Thomson de Andrade é um dos presidentes interinos. O mais cotado para a presidência é o conselheiro Carlos Jacques, que conta com apoio de figuras políticas. Para a superintendência, o mais cotado é Diogo Thomson.
Advogados especializados alertam que a interinidade prolongada pode ameaçar o ritmo de julgamento. Um especialista afirmou que qualquer impedimento pode gerar suspensões pontuais. Outra ex-procuradora comentou que a sucessão de vagas aumenta o risco de paralisação, visto que o tribunal depende de um quórum mínimo para julgar processos complexos.

