O cargo de Chief Artificial Intelligence Officer (CAIO) ganha relevância no alto escalão corporativo, pois a inteligência artificial já está em uso, mas ainda não foi totalmente incorporada aos sistemas formais de decisão e governança das organizações. A tendência é global, impulsionada por avanços tecnológicos e pela necessidade de gestão de riscos.
A função CAIO surge em um contexto de rápida adoção da IA. Pesquisa da McKinsey aponta que 88% das organizações utilizam IA regularmente em alguma função de negócio. Paralelamente, o AI Index 2025, de Stanford, registrou que o investimento privado global em IA generativa atingiu US$ 33,9 bilhões em 2024, um aumento de 18,7% sobre o ano anterior. Essa pressão levou executivos sêniores a esperarem mudanças médias ou altas nas capacidades operacionais das empresas, segundo levantamento com 469 presidentes.
Dimitri de Melo, CEO da Beyond Hospitality Brasil, defende que o CAIO deve atuar como o “engenheiro da ponte” entre tecnologia, negócios e governança. Ele afirma que o erro empresarial reside em não ter um dono, métrica ou governança clara para a IA. Para ele, a questão central mudou de “como usamos IA?” para “como governamos a inteligência que colocamos em operação?”.
A regulação também força a criação do cargo. Nos Estados Unidos, um memorando da Casa Branca exigiu que agências federais designassem um Chief AI Officer. Na União Europeia, o AI Act entrou em vigor em 2024. No Brasil, o PL 2338/2023 está em tramitação na Câmara, e a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) incluiu IA em sua Agenda Regulatória 2025-2026. O CAIO, segundo Melo, precisa organizar portfólio, régua de risco e políticas, transformando a IA em capacidade institucional.

