A camisa amarela da seleção brasileira voltou a ser um símbolo de união entre torcedores, apesar das divisões políticas persistentes no país. O uniforme, que se tornou alvo de polarização desde 2016, mostra sinais de resgate no comércio e na opinião pública.
O uniforme principal da seleção brasileira virou um ponto de disputa política após o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em 2016, e a eleição de um candidato de extrema direita em 2018. Nesse período, marcas progressistas passaram a oferecer versões não oficiais da camisa em cores como vermelho, com símbolos associados à esquerda.
Atualmente, o quadro mudou. Em lojas especializadas, as camisas amarelas são as mais procuradas. O CEO da marca Retrôgol, Henrique Coronati, informou que 7 em cada 10 produtos vendidos são amarelos. Torcedores relatam que o uso da camisa amarela representa nacionalismo em resposta a ações externas, segundo uma advogada.
O cientista social Marco Antônio Teixeira, coordenador do Mestrado e Doutorado em Gestão e Políticas Públicas da FGV EAESP, afirmou que a associação da camisa amarela à extrema direita parece ter se diluído neste Mundial. Ele comentou que a questão fundamental é tratar o uniforme como algo acima das clivagens políticas.

