Pesquisadores descobriram que o camundongo-orelhudo-andino, que sobrevive a mais de 6.700 metros de altitude, possui características fisiológicas únicas. Essas adaptações, que permitem a resistência em ambientes com pouco oxigênio, podem oferecer informações valiosas para o desenvolvimento de tratamentos médicos.
O pequeno roedor, não maior que a palma da mão, detém o recorde mundial de mamífero que vive na maior altitude do planeta, segundo Zachary Cheviron, biólogo da Universidade de Montana. A espécie, Phyllotis xanthopygus, apresenta grande amplitude altitudinal, vivendo tanto em regiões de alta montanha quanto no litoral chileno.
Os cientistas observaram que os animais de áreas baixas e de altitudes extremas são geneticamente próximos aos seres humanos que evoluíram em desertos ou regiões tropicais. Jay Storz, biólogo evolutivo da Universidade de Nebraska, explicou que o organismo do camundongo desenvolveu “superpoderes” para sobreviver em ambientes com escassez de oxigênio.
Os estudos indicam que o roedor mantém o calor corporal de forma eficiente e respira mais rapidamente, graças a uma enzima modificada, sem aumentar a produção de glóbulos vermelhos. Essa capacidade de adaptação à hipóxia pode abrir caminhos para tratar doenças cardíacas e auxiliar pesquisas sobre o câncer, visto que tumores também criam ambientes com baixo oxigênio.

