Medicamentos populares para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, geram dúvidas entre mulheres com lipedema, condição de acúmulo desproporcional de gordura. Especialistas afirmam que, embora ajudem no controle da obesidade, essas substâncias não comprovam a eliminação seletiva do tecido característico da doença.
O lipedema é definido como uma alteração crônica do tecido adiposo, e não apenas um excesso de gordura ligado ao ganho de peso, apresentando dor e inchaço. Segundo a endocrinologista Deborah Beranger, perder peso nem sempre reduz significativamente o tecido acometido pela doença, o que mantém a desproporção corporal em algumas pacientes.
A nutróloga Marcella Garcez declarou que estudos mostram a eficácia de semaglutida e tirzepatida no tratamento da obesidade. Contudo, ela afirmou que “não existem estudos robustos demonstrando que essas medicações eliminem seletivamente a gordura característica do lipedema ou modifiquem sua fisiopatologia”.
A cirurgiã plástica Heloise Manfim esclareceu que as canetas atuam na redução da gordura associada à obesidade e visceral. Ela disse que a gordura do lipedema possui comportamento diferente e que “até o momento, a gente não tem nenhuma evidência tão clara de que ela vai ser eliminada pelas canetas”.
Rafael Erthal, cirurgião plástico especialista em lipedema, comentou que estudos iniciais sugerem que a tirzepatida pode ter efeitos anti-inflamatórios e antifibróticos. Apesar das limitações, ele explicou que a perda de 10% a 20% do peso alivia a sobrecarga articular e melhora a qualidade de vida, mesmo que a doença não desapareça. O tratamento exige abordagem ampla e individualizada.

