Pesquisadores descobriram que a caverna Cloggs, localizada no sul da Austrália, foi utilizada por membros da nação aborígene GunaiKurnai por um período de pelo menos 25 mil anos. A análise de restos de plantas carbonizadas indica que o local serviu para rituais de cura, magia e maldições.
A caverna, situada em um penhasco perto da cidade de Buchan, Victoria, possui evidências de visitas ancestrais gravadas em suas paredes, que estão escurecidas por fogueiras. Relatos orais GunaiKurnai e registros etnográficos do século XIX descrevem o uso do espaço por líderes espirituais, conhecidos como “mulla-mullung”, para práticas de cura e rituais mágicos.
A pesquisa, publicada em um periódico de arqueologia ambiental, utilizou fitólitos — restos microscópicos de plantas — para datar o uso do local. Embora o pólen seja disperso por diversos meios, os fitólitos permanecem no local onde a planta se decompõe. Os cientistas focaram em fitólitos parcialmente queimados, que só poderiam ter sido trazidos por pessoas.
A datação por carbono em camadas de cinzas revelou que os rituais de queima ocorreram entre 4.400 e 1.600 anos atrás, com a descoberta de 29 tipos de vegetação. Além disso, a análise de materiais queimados sugeriu que as comunidades locais utilizavam a caverna desde há 25 mil anos. Um dos achados notáveis foi um marco de pedra de quase um metro, usado em cerimônias, encontrado em uma das escavações.

