A polarização política e a descrença nas instituições de investigação tornam os eleitores brasileiros mais tolerantes com escândalos de corrupção envolvendo candidatos preferidos, avalia Leonardo Barreto, cientista político. Segundo o especialista, o cenário atual difere do passado, onde crises semelhantes prejudicavam mais as campanhas eleitorais.
Barreto afirmou que o eleitor aceita mais a corrupção do seu lado preferido, considerando-a o mal menor para evitar que o lado adversário use o escândalo para vencer o poder. O analista destacou que os dois principais líderes da disputa presidencial acumulam taxas de rejeição superiores a 50%, o que cria um ambiente favorável à tolerância em cada campo político.
Além da polarização, o cientista político apontou a descrença nos órgãos de apuração como outra razão para a normalização dos escândalos. Ele disse que os próprios órgãos de apuração têm pessoas envolvidas em escândalos, citando que presidentes de casas legislativas e ministros do Supremo Tribunal Federal aparecem envolvidos em investigações.
Analisando a campanha de um dos candidatos, Barreto identificou sinais de rebelião interna no bolsonarismo, avaliando que a falta de administração política pode limitar a candidatura. O especialista concluiu que as condições objetivas estão sendo criadas para que uma terceira candidatura ganhe espaço a partir de agosto.

