O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou o relatório definitivo sobre o desastre do voo 2283 da Voepass. A queda do ATR 72-500 em Vinhedo, SP, em agosto de 2024, resultou em 62 mortes. A investigação aponta que falhas no sistema antigelo e alertas ignorados foram fatores cruciais.
A análise do Cenipa revelou que a aeronave enfrentou condições meteorológicas severas, agravadas por restrições mecânicas de fábrica. O ambiente em altitude, entre três mil e seis mil metros, permite a formação de gelo, que adiciona peso e destrói a aerodinâmica das asas, impedindo o fluxo correto de ar e, consequentemente, a sustentação.
Os dados das caixas-pretas indicaram que, minutos após a decolagem, um alarme apontou falha no maquinário pneumático das asas. Apesar dos manuais exigirem o funcionamento contínuo, os comandantes ativaram e desativaram o sistema repetidamente. A aeronave chegou a voar por **seis minutos** sem proteção contra congelamento externo.
A degradação da situação culminou em alertas progressivos de queda de velocidade. O turboélice sofreu um estol irrecuperável, transformando-se em um giro contínuo, conhecido como parafuso chato. A tripulação, apesar de alertas, não declarou emergência à torre de controle antes da perda total de controle.

