A rotatividade de diretores financeiros cresce globalmente, impulsionada pela expansão do cargo para além das finanças. Um levantamento da consultoria Russell Reynolds Associates aponta que no Brasil, 40% das posições de CFO mudaram de ocupante, com tempo médio de permanência de 4,5 anos.
O diretor financeiro deixou de ser apenas o guardião das contas da empresa. O cargo passou a exigir liderança em estratégia, transformação digital e comunicação com conselhos e investidores. Fernando Machado, sócio-diretor e líder da prática de Finanças da Russell Reynolds Associates, afirmou que em 2025 o mandato do CFO consolidou essa ampliação de escopo.
Os números brasileiros mostram que 70% dos diretores financeiros permanecem menos de cinco anos no cargo. Essa sucessão se tornou uma preocupação permanente das corporações. Além disso, 65% dos novos CFOs nomeados no país já possuíam experiência prévia na função, indicando que conselhos de administração buscam executivos prontos para assumir.
A transformação do papel é acelerada pela tecnologia. Estudos da BCG indicam que a inteligência artificial ocupa espaço nas decisões dos CEOs, pressionando os CFOs a participar de investimentos em tecnologia e na revisão de modelos de negócio. A função migra de centro de controle para articulação estratégica.
Apesar da evolução, a participação feminina no cargo apresenta desafios. No Brasil, as mulheres representam apenas 14% dos diretores financeiros das empresas listadas no Novo Mercado, um percentual 50% inferior ao cenário internacional, segundo Tatiana Mereb, consultora da Russell Reynolds Associates.

