Rio Branco registrou 1.557,5 milímetros de chuva entre janeiro e junho de 2026, um volume 18% maior que os 1.321,2 milímetros acumulados no mesmo período de 2025. A Defesa Civil Municipal informou que o aumento se deu por episódios isolados de chuva intensa, mas alerta para uma estiagem mais severa nos próximos meses.
O volume pluviométrico não foi uniforme ao longo do semestre. Janeiro apresentou a maior diferença, com 644,5 milímetros em 2026, mais de três vezes o registrado em 2025, que foi de 190 milímetros. Outros meses também registraram elevação, como março, que passou de 259,9 milímetros para 365,6 milímetros.
O coordenador da Defesa Civil de Rio Branco, tenente-coronel Cláudio Falcão, explicou que a neutralidade climática permitiu oscilações, mas eventos atípicos influenciaram o total. Ele destacou que, embora junho tenha tido 106 milímetros, a maior parte da precipitação ocorreu em um único dia, o que não representa regularidade climática.
Apesar do semestre mais chuvoso, os reflexos da seca já são visíveis. Nesta quarta-feira (9), o Rio Acre atingiu 2,30 metros em Rio Branco, superando os 1,83 metro registrados no ano anterior. Falcão afirmou que a tendência é de agravamento da estiagem no trimestre mais seco, devido à possível atuação do El Niño.
O fenômeno, provocado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial, tem mais de 80% de chance de ocorrer em 2026, segundo a agência climática dos Estados Unidos. Historicamente, o El Niño provoca redução de chuvas na região Norte e aumenta o risco de seca e queimadas na Amazônia.

