Cientistas obtiveram a primeira evidência biológica direta de que a epidemia de varíola que matou milhões de nativos nas Américas no século XVI foi introduzida por exploradores europeus. O estudo, publicado na revista Science, analisou múmias encontradas no norte do Chile, cujos genomas confirmam a linhagem do patógeno circulante na Europa.
Pesquisadores do Trinity College de Dublin, na Irlanda, relataram ter encontrado o DNA do vírus em indivíduos que viveram entre 1492 e 1631. Segundo o estudo, esses genomas pertencem a uma linhagem extinta que divergiu antes do surgimento das cepas modernas da varíola, fornecendo evidências moleculares da colonização europeia.
As múmias, preservadas pelo solo seco e salino do deserto do Atacama, foram analisadas no Museu Arqueológico de San Miguel de Azapa. Os cientistas identificaram marcas de infecção em dois dos 13 corpos examinados, condizentes com a varíola, embora a confirmação tenha sido feita pela análise do DNA viral.
A análise também indicou que o vírus se espalhou com facilidade ao chegar às Américas, pois sua taxa de evolução diminuiu durante o auge da expansão colonial. A doença, que causou a morte de mais de 4 milhões de indígenas no período inicial, está erradicada globalmente desde a década de 1970.

