O Círculo Monárquico do Rio de Janeiro pediu que Dom Bertrand de Orleans e Bragança reveja a decisão de não autorizar o casamento de Dom Rafael de Orleans e Bragança com a aristocrata italiana Margherita delle Piane. A entidade, que se declara fiel ao chefe da Casa Imperial, classificou o impasse como a maior crise sucessória da Casa Imperial nos últimos 100 anos.
O pedido foi apresentado em vídeo, divulgado no domingo (19/7), e fundamenta-se em um estudo do professor André Miranda. Segundo a carta apresentada no encontro monárquico realizado em São Paulo, a realização do casamento sem o consentimento do chefe da Casa Imperial resultaria na perda dos direitos dinásticos de Dom Rafael, que é sobrinho de Dom Bertrand e está noivo da italiana.
Um dos argumentos centrais é a origem da noiva. O levantamento da entidade aponta que a família delle Piane pertence ao patriciado de Gênova, com registros que remontam ao século XII. Além disso, a ascendência materna da noiva, Stefania d’Afflitto, também é ligada a famílias aristocráticas do sul da Itália. A imprensa internacional também aponta a origem aristocrática das famílias envolvidas.
A controvérsia envolve o princípio da *Ebenbürtigkeit*, que exige igualdade de nascimento em uniões dinásticas. Contudo, o Círculo Monárquico argumenta que essa regra não foi aplicada com a mesma rigidez às casas reais portuguesa e brasileira. A Constituição Imperial de 1824 não estabelecia expressamente a origem soberana como requisito para a validade do casamento.
Apesar da ponderação, a posição de Dom Bertrand permanece inalterada. Caso o casamento ocorra sem o consentimento dinástico, Dom Rafael poderá deixar a linha sucessória reconhecida pelo ramo de Vassouras, gerando um capítulo na disputa que acompanha os Orleans e Bragança há mais de um século.

