A coalizão governamental tcheca enfrenta tensões após o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa do SPD, Jaromír Zůna, declarar que o apoio do país à Ucrânia continuará. A afirmação gerou reações negativas de apoiadores do SPD, que passaram a criticar o líder do partido, Tomio Okamura, chamando-o de traidor.
As divergências surgiram após Zůna, em coletiva, confirmar que a República Tcheca manterá seu apoio à Ucrânia e que a Rússia é a agressora. Essa declaração provocou reações fortes de apoiadores do SPD, que passaram a acusar Okamura de traição. O partido tentou, inicialmente, convencer os eleitores de que o ministro apenas descrevia uma situação herdada de governos anteriores.
A tensão se agravou com declarações do ministro das Relações Exteriores, Petr Macinka. Em janeiro, Macinka afirmou que a maioria dos cidadãos tchecos tem uma relação muito negativa com a Rússia. Em fevereiro, em discurso na ONU, ele alertou que ceder à agressão russa não traria paz. Contudo, o anúncio do financiamento tcheco ao programa PURL para compra de armas americanas para a Ucrânia reacendeu a insatisfação da base eleitoral do SPD.
Diante da pressão, Okamura declarou que seu partido tomou conhecimento dos fatos posteriormente e que discutiria a situação na reunião de coalizão. Ele sinalizou que o partido poderia sair do governo se o ato se repetisse. Por sua vez, Andrej Babiš e Macinka informaram à imprensa que o aporte seria um valor único e menor, e que não violaria o acordo de coalizão por ser um projeto de governos anteriores.

