A cocaína figura como a sexta commodity mais valiosa na economia da Amazônia Legal, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O entorpecente apreendido pelas forças de segurança nos nove estados da região em 2024 totalizou US$ 703,7 milhões, ultrapassando o valor de produtos tradicionais como ouro e animais vivos.
O ranking de movimentação financeira da região coloca a cocaína atrás de setores consolidados, como o complexo de soja, avaliado em US$ 20,3 bilhões, e os mercados de cereais e carnes. Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, afirmou que a estimativa de US$ 703,7 milhões é conservadora, pois a maior parte da droga que circula na Amazônia Legal não é apreendida.
Lima explicou que, em um cenário otimista onde apenas dez por cento do entorpecente circulante é capturado, o valor da cocaína poderia atingir US$ 7 bilhões, tornando-a a segunda commodity mais rica da região, atrás apenas do complexo da soja. O estudo, intitulado “Governança criminal e riscos sistêmicos na Pan Amazônia”, revela que o tráfico se tornou um motor econômico ilícito que distorce mercados locais.
O levantamento concluiu que 170 dos 772 municípios da Amazônia Legal estão sob “extrema exposição” ao crime organizado, o que corresponde a 23% da população local. O crime organizado, que inclui facções como o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital, estabeleceu uma “governança criminal” na floresta, controlando territórios e regulando mercados, e desviando lucros para o financiamento de garimpo ilegal e grilagem de terras.

