Pesquisas apontam que o colírio contendo insulina pode auxiliar na recuperação de lesões na córnea, como defeitos epiteliais persistentes. Uma revisão científica analisou estudos que mostram que o hormônio promove cicatrização e regeneração nervosa ocular.
A insulina, conhecida pela regulação da glicose, demonstra potencial no tratamento de córneas lesionadas. A análise de estudos publicados na última década concluiu que a substância apresenta resultados promissores na cicatrização e na recuperação de lesões que não fecham sozinhas. Um oftalmologista, Claudio Lottenberg, presidente do Conselho Deliberativo do Hospital Israelita Albert Einstein, explicou que “a insulina não é apenas um hormônio metabólico. Ela também atua como fator trófico, estimulando migração e proliferação celular”.
Um trabalho realizado no Canadá, em dezembro, analisou olhos de 28 pessoas com ceratopatia neurotrófica. Nesse grupo, 78,3% apresentaram cicatrização completa das lesões após cerca de um mês de uso do colírio de insulina. Lottenberg afirmou que “uma taxa próxima de 78% em casos moderados a graves é muito relevante, porque estamos falando de pacientes muitas vezes refratários”.
O interesse na insulina tópica cresce devido ao custo. Enquanto o medicamento aprovado para a condição custa cerca de US$ 100 mil por ciclo de oito semanas, o colírio de insulina utilizado nos estudos custaria aproximadamente US$ 150 no mesmo período. O endocrinologista Fernando Gerchman, diretor da SBEM, comentou que a hipótese é relevante para pacientes diabéticos, que frequentemente desenvolvem neuropatias oculares.
Apesar dos dados favoráveis, os especialistas alertam que a terapia ainda não é rotina. Lottenberg resumiu que “falta o que sempre falta antes da adoção ampla: estudos prospectivos, randomizados, multicêntricos, com comparação direta contra terapias aprovadas”.

