A cúpula do Comando Vermelho, encarcerada no Complexo de Gericinó, estabeleceu uma figura de ‘diretor de governança corporativa’ para coordenar ações em todo o território nacional. Mensagens interceptadas mostram que o líder, de dentro da cadeia, transmite diretrizes sobre invasões de territórios rivais e conflitos internos para comparsas de diferentes estados.
A atuação dessa nova estrutura evidencia uma mudança no organograma da facção. A centralização de poder se intensificou após 2016, quando o CV expandiu-se pelo país por meio de acordos com grupos locais, como a Família do Norte (FDN), no Amazonas. Inicialmente, os chefes locais mantinham autonomia, mas o maior contato entre integrantes de diferentes estados facilitou a gestão centralizada.
Conversas interceptadas mostram que o diretor de governança debatia problemas regionais com chefes de outros estados. Em um diálogo, após um comunicado interno da facção proibir o PCC de atuar em determinado estado, o diretor comentou sobre o desgaste do tema. A trégua entre CV e PCC, que durou pouco menos de três meses, foi inviabilizada por rixas em diferentes estados.
O indivíduo, que atuava como mediador de conflitos, foi transferido do Complexo de Gericinó para a Penitenciária Federal de Catanduvas, no Paraná, em novembro do ano passado. A Polícia Penal alegou que, durante o período de acautelamento, ele respondeu a processos administrativos por faltas disciplinares, incluindo ocorrências pela posse de aparelho telefônico.

