O comércio entre Brasil e China atingiu patamares inéditos no primeiro semestre de 2026, totalizando um superávit de US$ 19,8 bilhões para o mercado nacional. O avanço foi impulsionado pela forte onda de importações de veículos eletrificados chineses e pelo aumento das exportações brasileiras de petróleo bruto.
As compras de modelos elétricos puros chineses quadruplicaram no período, enquanto as de híbridos dobraram, injetando US$ 2,79 bilhões no fluxo bilateral. Segundo relatório do CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China), o setor automotivo respondeu por 15% das importações totais, que somaram US$ 38,5 bilhões nos seis meses.
A concentração da entrada de automóveis ocorreu no Espírito Santo, estado que centraliza 88% dos veículos eletrificados. Essa movimentação portuária se deu por estratégia das importadoras de antecipar lotes antes da vigência da nova alíquota de 35% do imposto de importação em julho. Para os próximos meses, o setor prevê acomodação nos volumes, devido ao início das operações de montagem local das fábricas da BYD e da GWM.
Na balança de exportações, o petróleo bruto foi o principal motor financeiro, com expansão de 62% no primeiro trimestre. A demanda chinesa por óleo foi afetada por bloqueios logísticos no estreito de Ormuz, decorrentes do conflito geopolítico entre Estados Unidos, Israel e Irã. O mercado chinês representa 54% das exportações de óleo bruto do Brasil.

