Empresas estão construindo computadores utilizando organoides cerebrais, tecidos do sistema nervoso humano cultivados em laboratório, para aumentar a velocidade e adaptação de sistemas de inteligência artificial. Pesquisadores alertam que esse uso ocorre sem a autorização adequada dos doadores das células.
O uso desses tecidos cerebrais visa superar as limitações físicas do hardware de computação baseado em silício. O tecido combina memória e computação no mesmo substrato, exigindo menos componentes que os computadores convencionais. Além disso, os cérebros consomem menos energia que as máquinas de IA e dispensam grandes sistemas de refrigeração.
A pesquisa em bioinformática depende de doações voluntárias de células, muitas vezes provenientes de pessoas submetidas a procedimentos médicos. Contudo, o artigo publicado na Nature aponta que os formulários de consentimento não questionam aos doadores como as células serão usadas no futuro, nem quais usos eles não desejam.
Os biocomputadores são formados por células-tronco pluripotentes, que são induzidas a formar organoides cerebrais — pequenos aglomerados 3D que imitam a estrutura cerebral. A informação é codificada e processada pelos neurônios, gerando respostas típicas de modelos de IA, mas com menor consumo energético. Os pesquisadores pedem supervisão ética rigorosa para evitar problemas com os doadores.


