O congestionamento no Estreito de Ormuz, decorrente do conflito entre os Estados Unidos e o Irã, pode gerar consequências ambientais graves. Cientistas marinhos alertam que os milhares de navios parados no Golfo Pérsico podem introduzir uma onda de espécies invasoras, parasitas e patógenos no ecossistema regional.
Segundo um estudo publicado na revista Biological Invasions, os organismos recém-chegados representam um risco significativo, pois são considerados “extremamente difíceis, se não impossíveis” de serem removidos após a chegada. A especialista Carolyn Tepolt, da Woods Hole Oceanographic Institution (WHOI), declarou que a interrupção no transporte global criou condições ideais para a disseminação de espécies de águas quentes em novos portos.
O processo de biofouling, facilitado pelas rotas marítimas, já causou impactos globais. Exemplos históricos incluem a introdução do caranguejo verde europeu nos anos 1800 e a chegada da cobra-de-árvore-marrom em Guam, que levou espécies nativas à extinção. Além disso, o clima do Golfo Pérsico pode agravar a situação, pois águas mais quentes estimulam a reprodução de espécies oceânicas invasoras.
Diante do quadro, os cientistas pedem cooperação internacional para monitorar o biofouling e intensificar os esforços de limpeza de navios. Os pesquisadores advertiram que, embora as consequências humanas e econômicas do conflito sejam prioridade, os impactos ecológicos não podem ser ignorados.


