Um consenso internacional sobre o uso de medicamentos para emagrecimento, como Ozempic e Mounjaro, passou a recomendar a ingestão específica de proteína e a prática de musculação. A diretriz, publicada em julho, estabelece que o sucesso do tratamento não deve ser medido apenas pela balança, devido à perda de massa muscular.
O documento, elaborado por três entidades europeias, define que a manutenção da massa magra é fundamental durante o tratamento. Para conter a perda muscular, a recomendação é de uma ingestão diária de proteína entre 1 e 1,5 grama por quilo de peso ajustado, com um mínimo de 60 gramas distribuídas ao longo das refeições. Quando a fome diminui com a medicação, o consumo de proteína tende a cair, aumentando o risco de perda muscular.
A novidade do consenso reside na inclusão da atividade de força como peça central da estratégia para quem usa agonistas de GLP-1. Rodrigo Lamounier, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), comentou que é preciso garantir a qualidade da composição corporal. Ele afirmou que a perda de músculos pode gerar piora nutricional, cansaço e, em pessoas vulneráveis, aumentar o risco de quedas e fraturas.
Sobre o momento de suspender a medicação, o consenso aponta que a decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente. Sinais que exigem reavaliação incluem náuseas persistentes, perda de peso muito rápida ou incapacidade de ingerir nutrientes suficientes. A pausa também pode ocorrer se o paciente atingir a meta de peso desejada.

