Voar em aeronaves expõe o corpo a estresses físicos e psicológicos causados pela pressão e umidade da cabine. Segundo o farmacêutico Thorrun Govind, essas mudanças começam antes do embarque, afetando o comportamento e as emoções do viajante.
O organismo sente os efeitos do voo assim que a aeronave decola, principalmente devido à pressurização. Embora o avião voe acima de 30 mil pés, a pressão interna simula uma altitude entre 6 mil e 8 mil pés, o que reduz a saturação de oxigênio no sangue de cerca de 97% para aproximadamente 90%. Essa diminuição pode gerar cansaço, sonolência e leve confusão mental.
A baixa umidade da cabine, que varia entre 10% e 20%, acelera a evaporação de água da pele e mucosas. Os efeitos mais comuns são o ressecamento de olhos, nariz, garganta e pele. Thorrun Govind explicou que a adição de álcool intensifica a perda de líquidos, podendo causar dor de cabeça ao pousar.
A pressão também interfere no paladar, pois a combinação de ar seco e baixa pressão reduz a capacidade de sentir cheiros. Além disso, a Lei de Boyle explica o desconforto de ouvido durante a decolagem e o pouso, pois os gases no organismo se expandem e precisam se adaptar à nova pressão.
Para minimizar os efeitos, Govind recomendou movimentar-se durante o voo e manter-se hidratado. Também é aconselhável reduzir o consumo de álcool e cafeína, que favorecem a desidratação, e evitar dormir logo após o embarque em viagens com mudança de fuso horário.

